José Oberto
Há 28 anos nascia na cidade de Patos – Paraíba - uma criança linda, cercada de pessoas inteligentes e com um registro de nascimento que mais parecia um revolucionário estatuto de vida em sociedade.
Desde seus primeiros passos se colocou com muita humildade ao lado dos que menos podiam, auxiliando professores, estudantes e o homem do campo, sendo um fiel escudeiro dos que queriam gritar, reivindicar e chamar atenção do que se apresentasse de mais injusto na cidade.
Por toda sua vida conheceu apenas o pai, um homem, que pela história brava de nordestino forte que deixa o interior para ganhar a vida em São Paulo, trabalhando e ajudando quem dele necessita-se, conquistou a confiança e o respeito de todos nós.
Depois de ganhar as escolas, os sindicatos e as associações comunitárias, aquela criança de antes partia para demonstrar que crescia e precisava ir mais além.
Depois de lutas inglórias, contra preconceitos por sua firme conduta e sua ideologia convicta de que se fosse preciso protestar, ocupar, paralisar ou mesmo ir à justiça para exigir justiça, ele fazia.
Foi nessas lutas que conquistou respeito a ponto de transformar velhos preconceitos do passado em armas para sua própria defesa.
Uniformizado com as cores de nosso país, ou mesmo com seu padrão favorito em vermelho e branco, conquistou adeptos e seguidores que sentiram muito orgulho de serem parecidos ou com ele. Parecidos com aquela estrela.
Seu pai sempre o chamava para apoiá-lo em suas batalhas contra ricos e poderosos, em favor do Brasil. Lutou muito até sentir o sabor da vitória em 2002. Antes, em 2000, seu filho já visto um dos seus saborear o sucesso aqui mesmo na cidade de Patos.
Incansável, nunca havia parado de lutar, de sentar junto, de conversar, de propor quando preciso e questionar quando contrariado, até que os seus não eram mais tão seus e, os seus de fato passaram a serem renegados por quem sempre esteve do outro lado, quando era e tinha que ser feita na base do enfrentamento das idéias.
Mas, foi em 06 de dezembro de 2009, dez meses antes de conhecer sua mãe, numa tarde de domingo, na Câmara Municipal de vereadores da cidade, que pessoas estranhas a sua vida, gananciosas pelo poder e pelo dinheiro fácil vindo dos benefícios que ele traz, levaram a sua morte.
Assim como Judas traiu Jesus, ele também foi traído, foi enganado, assim também como muitos foram. Diziam que ele tava doente e precisava de oxigênio, de sangue novo e o mataram de maneira covarde. Mataram por vingança e o pior que não foi por vingança de algo de ruim que ele os tivesse feito, não. Vingaram o fato de os terem vencido inúmeras vezes pela vontade do povo.
Hoje, quando se aproxima a data de 06 de dezembro de 2010, lembro com muita tristeza do aniversário de um ano da morte do Partido dos Trabalhadores, PT de Patos.
José Oberto da Silva
“Filiado ao PT de Patos desde 1992”



