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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dia de Finados, dia de saudades

Marcos Eugênio


“Está tudo bom não. Como posso dizer que está tudo bom se perdi meu marido e quatro filhos?”. Esta foi a resposta de uma senhora, aparentando seus 60 anos, em lágrimas, para uma saudação educada de uma amiga. E ainda se queixou do sofrimento que enfrentaria para voltar a pé para sua residência, bastante longe de onde se encontrava, carregando as molduras com as fotos que acabara de retirar dos túmulos.

Dia de Finados, cemitérios lotados, dia de homenagear os mortos, trazer à tona eternas lembranças, sentimentos que acabam vindo à flor da pele. Muitos chegam apressados, acendem velas nos jazigos dos entes queridos e vão embora. Outros, que na noite anterior fizeram a limpeza dos túmulos, agora colocam com cuidado flores, acendem velas ficam em família relembrando momentos da breve ou longa convivência com aqueles que já se foram para outro plano escolhido por Deus.

Há também aquele que prefere o silêncio. Encostado ao túmulo parece manter longa conversa a dois. Ali reza, derrama suas lágrimas que descem sem receio, sem vergonha, aliviando o coração. Na visita de cemitérios há aqueles que vão sem muito compromisso de orar por alguém, fazem peregrinação, visitam inúmeros túmulos, olhando as fotografias na porcelana, nas molduras e passam a questionar a família sobre a quem pertencia o jazigo, quando e como falecera. 

Dia de Finados não é só dedicado aos mortos. Que o diga o vai vem de ambulantes, muitos garotos, oferecendo velas, fósforo. Também não faltam cachorro-quente, espetinhos, sorvete, água mineral, flores, bomboniere e uma série de outros produtos. Planos de assistência à família aproveitam para fazer propaganda de seu serviço, distribuindo calendários. 

Nessa tradição de reverenciar os mortos, também cumpri meu papel cristão, acendi velas, rezei por todos os meus que se foram e pedi intercessão junto ao Pai para que tenhamos um mundo mais ético, de respeito mútuo, de muita paz e saúde para todos.  

Professores de Piancó fazem protesto devido atraso de salários

Professores de Piancó prometem fazer manifestação em frente ao cemitério no dia de finados Os professores municipais de Piancó, distante 400 km de João Pessoa, realizaram na manhã de ontem, terça-feira (1), uma caminhada pelas principais ruas da cidade e em seguida fizeram um ato público em frente à Prefeitura Municipal.

A presidente do SINDIFEMP- Sindicato dos Funcionários em Educação de Piancó e Região, Alcicleide Lacerda, denunciou que a Prefeitura vem atrasando sistematicamente os salários de mais de 200  professores em até dois meses, retirando gratificações conquistadas anteriormente e pretende enviar um projeto de lei a Câmara retirando as gratificações de difícil acesso dos profissionais que lecionam na zona rural, além da perseguição política, pois até o seu salário foi suspenso, desde o mês de agosto, tendo que entrar com ação na justiça, tudo em virtude de sua luta em defesa dos profissionais da educação.

Alcicleide ainda denunciou que a Prefeitura recebeu, apenas de recursos do FUNDEB de janeiro a outubro de 2011, o montante de cerca de R$ 4 milhões, chegando a uma média mensal de aproximadamente R$ 400 mil, não justificando assim o atraso de dois meses de salários dos professores. “Como a prefeita justifica um atraso de dois meses de salários, se os recursos do FUNDEB chegam religiosamente no município?”, indagou a sindicalista.

O presidente da CTB- Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, na Paraíba, o sindicalista José Gonçalves, esteve acompanhando a mobilização, juntamente com os professores, vereadores Souzinha e Cotil, que se prontificaram em não votar projetos que venham retirar direitos dos professores e demais servidores municipais.

Gonçalves afirmou que é uma vergonha, uma prefeita que é professora não honrar os seus compromissos com a própria categoria a que pertence e pior, exercer uma forte pressão psicológica para que os mesmos se desfilem da sua entidade de classe. “Isso é puro assédio moral e iremos denunciar caso a caso na justiça”, afirmou Gonçalves.

A CTB e o SINDIFEMP irão entrar com várias ações contra a Prefeitura, pois foi aprovado um projeto de lei na Câmara criando professores bolsistas em detrimento da realização de concurso público, totalmente inconstitucional e, no entanto, a prefeita Flávia Galdino paga aos contratados, bolsistas e comissionados e deixa atrasar os salários dos professores do quadro efetivo do município.

Manifestação no cemitério:

Os professores prometeram que hoje (Finados) fariam uma manifestação em frente ao cemitério, até porque no dia de todos os santos não saiu pagamento. O ato aproveita a visita de muitos piancoenses, que vem fazer as visitas aos seus entes, não apenas do município, mas de outras regiões do estado, e assim demonstrar a verdadeira situação que se encontra o município.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Patos abre 2ª etapa de vacinação contra aftosa


A segunda etapa da campanha de vacinação da febre aftosa, aberta nesta segunda-feira (31) em todo o estado da Paraíba, teve início na cidade de Patos e região, nesta terça-feira (01). A abertura aconteceu na Fazenda Escura, de propriedade do Dr. Edson Gomes, onde foram vacinados cerca de 250 bovinos.
Participaram da ocasião, produtores, executivos da Defesa Agropecuária, médicos veterinários da Gerência Regional de Patos e ULSAV.

De acordo com o gerente executivo da Defesa Agropecuária, Rubens Tadeu, “a primeira etapa da campanha, realizada em maio, atingiu o recorde de vendas de vacinas e, desta vez, a meta é vacinar 100% do rebanho, para evitar a ameaça de disseminação da doença no Estado. O objetivo é fazer com que o rebanho paraibano atenda às condições exigidas pelo Sistema de Defesa Agropecuária e o Estado possa pleitear ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) a mudança de status para zona livre de aftosa já no próximo ano”, disse.

Para o secretário municipal de Agricultura, Sebastião dos Santos Lima, “nós que fazemos a Secretaria Municipal de Agricultura juntamente com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (SEDAP), estamos como parceiro nessa segunda etapa da vacinação contra a febre aftosa, dando apoio na campanha e na divulgação da mesma. Não podemos ser prejudicados com um surto de aftosa que pode acontecer caso os produtos deixem da vacinar seus rebanhos. É necessário que todos procurem adquirir a vacina nas farmácias veterinárias”, explicou o secretário. 
De acordo com o médico veterinário da Unidade de Sanidade Animal e Vegetal (ULSAV), Aluísio Silva, “a Secretaria de Agricultura do Estado e Ministério da Agricultura pretendem chegar a 100% dos rebanhos vacinados no estado da Paraíba. Os proprietários que não vacinarem seus animais estarão sujeitos a multa de R$ 161,55 por cabeça. E, por não declarar, a multa sobe para R$ 323,10, por animal. Após o período de vacinação e de comprovação das vacinas, fiscais da secretaria visitarão propriedades que não cumprirem o prazo, vacinando compulsoriamente os animais e aplicando as multas”, informou.
Segundo o proprietário rural, Dr. José Tota, a campanha tem uma importância ímpar para todos os proprietários, e só poderá ter o alcance que merece se houver um trabalho ainda maior de divulgação e conscientização junto aos proprietários. “É preciso que o governo desperte para a importância de se intensificar o trabalho de conscientização e divulgação da campanha, sobretudo em áreas mais carentes, e que veja também a possibilidade de disponibilizar a vacina de forma gratuita, o que já vem acontecendo em alguns municípios da nossa região”, ressaltou.


As Unidades Locais de Sanidade Animal e Vegetal, os Conselhos Municipais de Sanidade Agropecuária, a Emater e entidades da iniciativa privada estão sendo convocados pela Sedap para ajudar na conscientização dos produtores rurais sobre a necessidade de vacinar todos os animais da propriedade, mesmo naquelas que tenham poucas cabeças.


Os produtores devem ficar atentos para a obrigatoriedade da vacinação e de sua comprovação, além da atualização do cadastro nos escritórios da Defesa Agropecuária. A ausência de comprovação e de atualização do rebanho impede a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), documento necessário para o transporte de animais.


Atualmente a Paraíba é considerada área de risco médio de febre aftosa, de acordo com a Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA). O Governo do Estado estima vacinar 1,2 milhão de cabeças de bovinos e 1,6 mil cabeças de bubalinos na segunda etapa da campanha de vacinação da febre aftosa. A campanha seguirá até o dia 30 de novembro.
  
Coordecom

Vereador diz que não pode deixar de exercer civilidade

Foto:Marcos Eugênio
O fato de ter participado da festa de aniversário da filha do prefeito de Patos, Nabor Waderley (PMDB), sábado passado, o vereador José Mota Victor (PMDB) disse que em nada mudará sua postura na Casa juvenal Lúcio de Sousa, de ser sempre crítico, de manter as cobranças que vem fazendo à administração municpal na garantia dos direitos da população. "Algumas pessoas confundem as coisas. Não poderei jamais de deixar de lado minha civilidade", comentou.

Afastado politicamente do grupo peemedebista há bastante tempo, Mota tem sido ferrenho crítico do governo Nabor, do qual cobra maior transparência na prestações de contas, a exemplo do São João, que movimenta mais de R$ 1,5 milhão, eficácia dos serviços público, de educação e saúde. "Não mudo nada na minha postura como vereador. Votei contra o projeto dos Precatórios porque não tinha uma data para iniciar o pagamento e o valor estipulado. Votei contra a privatização do matadouro porque não me foram fornecidas as informações necessárias para discernir sobre o assunto.Vou continuar assim até o fim do mandato",conclui Mota, em conversa conosco no Face.


Para reflexão

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO NA USP por um PSICÓLOGO

 'O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE'
 'Fingi ser gari por 1 mês e vivi como um ser invisível'

Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da 'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.

 Plínio Delphino, Diário de São Paulo.

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou um mês como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo.

Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'.

Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:

 'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão', diz.

No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse: 'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi.
Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu.  

Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de um mês trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. 
Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa.

Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, frequento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. 
Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. 
Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.
 
*Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida!

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