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Foto:Uol |
Marcos Eugênio
A boa
educação é o principal cartão de visita de uma pessoa, de uma sociedade. Mas às
vezes a falta desta pode vir carregada de significados, como na atitude de
torcedores no Mané Garrincha, na abertura da Copa das Federações, com uma
sonora vaia à presidente do Brasil, Dilma Roussef, quando esta foi anunciada
pelo serviço de som do Estádio. De “saia justa”, sem jeito, a expressão facial
de insatisfação de Dilma mostrou que seu governo passa por momentos de
insatisfação popular, de certa turbulência. Nem mesmo o presidente da poderosa
Fifa, Joseph Blatter, entidade que possui mais
de 20 grandes empresas patrocinadoras enchendo os bolsos de seus diretores, foi
poupado das vaias, no momento em que ele pediu respeito à Dilma.
Os brasileiros conscientes dos problemas que o País atravessa, a exemplo
da saúde pública, que vive um caos, a violência que assusta e gera cada vez
mais insegurança, uma educação que avança a passos de tartaruga em busca da
modernização e conscientização para um mundo mais justo e cidadão, com certeza
têm presa na garganta a vontade de soltar essa vaia, não à nossa representante
maior, mas ao estágio de inoperância do governo, a tantos problemas que impedem
avanços sociais, à corrupção, que causa enorme prejuízo aos cofres públicos. Os
altíssimos investimentos em estádios, a exemplo do Mané (R$ 1,3 bi), com a
justificativa de que isso irá gerar emprego e renda, desenvolver cidades e movimentar
o turismo interno não convence a todos.
Ao se priorizar o futebol em detrimento de algo mais imediato e
necessário, como maior resolutividade do SUS, mobilidade com transporte
coletivo de qualidade, a exemplo do metrô, ações que contenham a crescente
violência, a conclusão da Transposição do São Francisco, que para os
nordestinos representa a redenção regional, os bilhões com o futebol, deixa no
ar certa frustração de que sabemos que há recursos suficientes para produzirmos
profundas transformações em nosso país, mas que são canalizados de forma
equivocada.
Muitos podem afirmar que as cidades estão sendo desenvolvidas com a
Copa. As que servem como sede dos jogos, com certeza recebem altos
investimentos, mas e resto do País fica ao Deus dará. Investimentos dos
tributos da sociedade brasileira nos estádios foram empregados na construção
das arenas esportivas, que devem ser administradas pela iniciativa privada,
como já foi anunciado. Enquanto isso não temos uma base de formação esportiva
no País. Não existem centros de treinamento, um planejamento de educação física
na rede escolar que possam contribuir, inclusive, para revelar talentos nos
esportes, como é feito na miserável Cuba.
Enquanto isso os movimentos populares ganham as ruas do Brasil,
movimentos estes que surgiram em São Paulo no protesto contra aumento das
passagens de ônibus, um serviço de péssima qualidade, e que depois ganharam
contornos de uma série de problemas vividos pela população brasileira. O livre
exercício democrático dos brasileiros, que está nas ruas, ganhou a mídia
nacional, internacional e atenção da classe política, que deve refletir bastante
em torno de seus atos. No próximo ano teremos novas eleições e cada representante
do povo deve refletir muito bem seus atos, que são vigiados de perto.
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